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Alexis de Tocqueville

Citações:


Não creio que haja país no mundo onde, guardadas as proporções com a população, se achem tão poucos ignorantes e tão menor número de eruditos do que na América. Lá, a instrução primária acha-se ao alcance de todos; [...] infere-se que as inteligências, embora continuem desiguais, tal como o quis o Criador, encontram à sua disposição meios iguais. (TOCQUEVILLE, 2010, p. 69-70).


É impossível compreender que a igualdade não acabe por penetrar no mundo político, como em toda parte. [...] Ora, não conheço mais que duas maneiras de fazer reinar a igualdade no mundo político: é preciso que se dêem direitos a cada cidadão, ou que não sejam dados a ninguém. (TOCQUEVILLE, 2010, p. 70).


Não se trata de dizer que os povos cuja situação social é democrática desdenham naturalmente da liberdade; pelo contrário, têm por ela um gosto instintivo. Mas a liberdade não é o objeto principal e contínuo de seu desejo; o que preferem, com um amor eterno, é a igualdade; lançam-se para a liberdade em impulsos rápidos e movimentos súbitos, e, se não alcançam a sua finalidade, resignam-se; mas nada poderia satisfazê-los sem a igualdade, e consentiriam antes em perecer que em perdê-la. (TOCQUEVILLE, 2010, p. 70).


A liberdade democrática não executa cada um de seus empreendimentos com a mesma perfeição que o despotismo inteligente; muitas vezes, abandona-os antes de ter colhido os seus frutos, ou os põe em risco de conseqüências perigosas: afinal, porém, produz mais que ele; faz menos perfeitamente cada coisa, mas realiza mais coisas. Sob o seu império, não é grande sobretudo o que aquilo que a administração pública executa, mas o que é executado sem ela e fora dela. A democracia não dá ao povo um governo mais hábil, mas fez o que o governo mais hábil muitas vezes não tem poderes para criar; faz propagar pelo corpo social uma atividade inquieta, uma força superabundante, uma energia que jamais existe sem ela e que, ainda que as circunstâncias sejam pouco favoráveis, podem produzir maravilhas. Tais são as suas verdadeiras vantagens. (TOCQUEVILLE, 2010, p. 185).


[...] se, afinal, o objetivo principal de um governo de modo nenhum, em nossa opinião, é dar a todo o corpo da nação a maior força ou a maior glória possível, mas fornecer a cada um dos indivíduos que a compõem a maior parcela de bem-estar e evitar-lhe maior miséria; então, igualemos as condições e constituamos o governo da democracia. (TOCQUEVILLE, 2010, p. 185).


Existe uma lei geral, que foi feita ou pelo menos adotada, não apenas pela maioria de tal ou qual povo, mas pela maioria de todos os homens. É a lei da justiça. A justiça constitui, pois, o limite do direito de cada povo. Uma nação é como um júri encarregado de representar a sociedade universal e de aplicar a justiça que é a sua lei. O júri, que representa a sociedade, deve ter mais poder que a própria sociedade cujas leis aplica? [...] Por isso, quando recuso obedecer a uma lei injusta, de modo nenhum estou negando que a maioria tem o direito de comandar; apenas faço apelar da soberania do povo para a soberania do gênero humano. (TOCQUEVILLE, 2010, p. 188).


Não existe, pois, sobre a terra, autoridade tão respeitável em si mesma ou revestida de tão sagrado direito que eu desejaria deixar agir sem controle a dominar sem obstáculos. Quando, pois, vejo concedido o direito e a faculdade de tudo fazer a um poder qualquer, seja ele o povo ou o rei, a democracia ou a aristocracia, exercido numa monarquia ou numa república, eu afirmo: está ali o germe da tirania; e procuro ir viver sob outras leis. (TOCQUEVILLE, 2010, p. 189).


O corpo dos juristas constitui o único elemento aristocrático que se pode introduzir sem esforço entre os elementos naturais da democracia e combinar-se de maneira feliz e durável com eles. (TOCQUEVILLE, 2010, p. 198).


Por isso, os juristas constituem a classe política superior e a porção mais intelectual da sociedade. Assim, não poderiam senão perder, ao inovar; isso acrescenta um interesse conservador ao gosto natural que têm pela ordem. [...] é nos Estados Unidos que se descobre sem dificuldade o quanto o espírito jurídico, pelas suas qualidades, e diria mesmo pelos seus defeitos, é de molde a neutralizar os vícios inerentes ao governo popular. (TOCQUEVILLE, 2010, p. 199).


[...] não pode forçar o povo a fazer leis, mas pelo menos constrange-o a nunca ser infiel às suas próprias leis e a permanecer de acordo consigo mesmo. (TOCQUEVILLE, 2010, p. 200).


Quase não existe questão política, nos Estados Unidos, que cedo ou tarde não se resolva como uma questão judiciária. (TOCQUEVILLE, 2010, p. 200).


[...] a instituição do júri pode ser aristocrática ou democrática, conforme a classe de onde são tirados os jurados; mas conserva sempre um caráter republicano, porque situa a direção real da sociedade nas mãos dos governados, ou de uma porção dentre eles, e não nas mãos dos governantes. (TOCQUEVILLE, 2010, p. 201).


Assim, pois, ao mesmo tempo que a lei permite ao povo Americano tudo fazer, a religião impede-o de tudo conceber e proíbe-lhe tudo ousar. A religião, que entre os Americanos nunca se mistura diretamente ao governo da sociedade, deve pois ser considerada como a primeira das suas instituições políticas, pois, se lhes dá o gosto da liberdade, facilita-lhes singularmente o seu uso. (TOCQUEVILLE, 2010, p. 215).




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