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EUA, Paraguai, Venezuela, Bolívia e Brasil: Fernando Lugo, coronéis, generais e políticos brasileiros – O mundo mudou? Em alguns lugares parece que muito pouco.


O que a direita golpista dos generais Lino Oviedo e Stroessner tem a ver com os EUA, os brasiguaios e os políticos brasileiros.

Deputado negocia base com os EUA

07.07.2012

Assunção

O presidente da comissão da Defesa da Câmara de Deputados do Paraguai, José López Chávez, anunciou ontem que manteve conversas com generais dos Estados Unidos para negociar a instalação de uma base militar no Chaco, região ocidental do Paraguai. A visita dos representantes do Pentágono ocorreu dias depois da destituição de Fernando Lugo da presidência do país. O deputado López Chávez não está vinculado ao novo presidente, Federico Franco, mas é aliado do general Lino Oviedo, líder da União Nacional de Cidadãos Éticos (Unace), partido de centro-direita, de oposição. Os militares americanos foram a Assunção conversar sobre programas de cooperação bilateral. Segundo o deputado, o objetivo é instalar a base no vilarejo de Mariscal Estigarribia, perto da fronteira com a Bolívia. A Bolívia e o Paraguai entraram em guerra nos anos 1930 por causa da disputa por essa região. Os paraguaios venceram o conflito. No local está a maior pista aérea do país, construída nos anos 1980 pelo então ditador paraguaio, o general Alfredo Stroessner. O plano do presidente da Comissão de Defesa é uma tentativa de ressuscitar a velha ideia de ceder uma base aos marines dos EUA na região. (...) O anúncio sobre a visita de generais do Pentágono ocorre em plena crise do Paraguai com os países do Mercosul. Na sexta-feira passada, o país foi suspenso do bloco até a realização das eleições presidenciais em abril. Segundo o Mercosul, o Paraguai, com a destituição de Lugo, está em meio a uma "interrupção da ordem democrática". (...) O Paraguai acredita que a suspensão não foi correta, porque o país não pôde se defender e que o ingresso da Venezuela também foi irregular.

Lobby de políticos ajuda brasiguaios

Ao tomar o Congresso brasileiro na semana passada, comitivas de brasiguaios em busca de apoio ao novo governo do Paraguai conseguiram ao menos seis encontros parlamentares, uma audiência pública e dez manifestações de apoio. O reconhecimento é sustentado, em parte, pelo forte "lobby" dos brasiguaios (brasileiros residentes no Paraguai) com congressistas de Estados vizinhos ao Paraguai ou ligados ao agronegócio. A bancada ruralista foi a primeira a receber os brasiguaios, no último dia 26, e a manifestar apoio ao novo presidente do Paraguai, Federico Franco. A maior parte dos 350 mil brasileiros que vivem no Paraguai migrou ao país para colonizar as terras produtivas da região, e hoje são grandes produtores rurais. (...) Parte do apoio é também uma retribuição aos votos dos brasiguaios - muitos deles ainda têm título de eleitor ou famílias nas cidades fronteiriças do Brasil, e cruzam a fronteira para votar. Não por acaso, muitos candidatos a deputado e senador pelos estados do Paraná e Mato Grosso do Sul chegam a fazer campanha no país vizinho. " Somos um povo que eles têm que olhar com muito carinho, porque temos voto e dinheiro", afirma a advogada brasileira residente no Paraguai e representante dos brasiguaios, Marilene Sguarizi. Um dos principais interlocutores dos brasiguaios é o senador Sérgio Souza (PMDB-PR), que esteve no país vizinho durante a campanha de 2010 e prometeu ser "representante do povo paraguaio no Senado brasileiro". Outro político brasileiro citado como "muito respeitado" pelos brasiguaios é o senador Alvaro Dias (PSDB-PR), que declarou na semana passada, em nome da bancada do PSDB, "apoio às aspirações legítimas e democráticas do povo do Paraguai". Alguns produtores têm o telefone pessoal do senador anotado na agenda.

http://diariodonordeste.globo.com/materia.asp?codigo=1157337


Notícia de fevereiro de 2012 na Folha sobre o rei da soja paraguaio:

Vereadores pedem retirada de cidadania a empresário brasileiro no Paraguai

DE SÃO PAULO

A Câmara Municipal de Assunção, no Paraguai, aprovou nesta quarta-feira, o pedido de retirada da cidadania paraguaia ao empresário brasileiro Tranquilo Favero, o maior produtor individual de soja no país, por declarações em entrevista à Folha, publicadas no último dia 5.

O projeto foi apresentado pelo vereador liberal Augusto Wagner, em conjunto com outra proposição, que o declara como pessoa non grata no país, em virtude de elogios à ditadura de Alfredo Stroessner (1954-1989). As duas medidas foram aprovadas por unanimidade pelos legisladores municipais.

A vereadora Karina Rodríguez, do Partido do Movimento ao Socialismo (P-MAS), que presidiu a sessão, afirmou que as propostas são um sinal claro da Câmara Muncipal de seu repúdio a "esse tipo de personagens".

"Favero pertence a esse grupo de poder que teve prepotência e impunidade durante a ditadura e este é um sinal de que não se tolerarão esse tipo de expressões".

ENTREVISTA

Na entrevista que concedeu à Folha, Fávero, que nasceu em Videira (SC), chamou de delinquentes os camponeses que cercam sua fazenda desde o início do conflito entre os sem terra e fazendeiros, especialmente os brasileiros radicados no Paraguai, chamados de "brasiguaios".

Ele também elogiou o governo de Stroessner. "Naquela época você podia dormir com a janela aberta e ninguém te roubava. Só estamos piorando desde então".

Favero também disse que é inútil lidar com os sem-terra na base da diplomacia, que eles têm de ser tratados "como mulher de malandro, que só obedece na base do pau".

http://www1.folha.uol.com.br/mundo/1049223-vereadores-pedem-retirada-de-cidadania-a-empresario-brasileiro-no-paraguai.shtml


REVISTA DINHEIRO RURAL

Quem são os brasileiros que plantam 90% da soja paraguaia e por que muitos temem os planos do novo presidente, Fernando Lugo

Neguinho não tem do que reclamar da vida no Paraguai. Só neste ano, comprou três picapes zero-quilômetro com o dinheiro ganho com a venda dos grãos. Uma para ele e uma para cada um dos filhos. "Paguei só 1,2 mil sacas de soja por cada caminhonete. O mais caro foram as rodas personalizadas", conta o produtor, aos risos. Pouco depois, mais sério, fala das vantagens de se trabalhar do lado de lá da fronteira. "Não planto mais sementes convencionais. Aqui no Paraguai só plantamos soja transgênica. É muito mais eficiente e rentável", explica Neguinho, que exporta tudo o que colhe para os Estados Unidos.

(...) O Paraguai é atualmente o quarto maior exportador de soja do mundo. Apenas na safra 2007/ 2008, foram produzidos cerca de 6,8 milhões de toneladas, recorde histórico do País. Grande parte do crescimento econômico que o País registrou nos últimos cinco anos também deve-se ao aumento das exportações do grão. E tudo isso foi conquistado graças aos brasileiros que vivem e trabalham por lá, responsáveis por mais de 90% da soja produzida em solo paraguaio.

Ciente de que não vai ser nada fácil tirá-los de onde estão, Fernando Lugo já estuda uma nova saída. No dia de sua posse anunciou que pode adotar um novo imposto agrícola no Paraguai. Segundo ele, as taxas atuais são muito baixas, o que favorece o enriquecimento de poucos. Alheios às ameaças do presidente, os brasiguaios seguem trabalhando, e gerando cada vez mais receitas para o Paraguai.

O REI DA SOJA PARAGUAIA


Polêmico e falastrão, o catarinense Tranquilo Favero é o maior produtor individual de soja do Paraguai. Aos 70 anos, 40 deles no país vizinho, Favero édono de mais de 45 mil hectares de terra, e deve faturar alto com a venda de grãos neste ano. "Vamos negociar pelo menos 480 mil toneladas de soja, o que deve render algo em torno de US$ 190 milhões. Devemos ter mais 135 mil toneladas de produção própria, o que dá mais uns US$ 50 milhões", explica. Favero, que já plantava soja no Paraná no início dos anos 60, decidiu se mudar para o Paraguai durante o governo do general Alfredo Stroessner. Comprou muita terra barata e desde então não parou de crescer. Hoje é um dos maiores empresários do país e tem grande influência até na política local.

(...) "Temo apenas o fato de Lugo estar cercado por uma esquerda comunista, que não respeita os direitos estabelecidos e nem a propriedade privada", reclama. (...)

http://www.terra.com.br/revistadinheirorural/edicoes/47/artigo103106-2.htm


Sem-terras paraguaios vivem em acampamentos improvisados em terras de "brasiguaio"

JOÃO FELLET

Da BBC Brasil

Na estrada de terra que cruza as prósperas plantações de soja e milho de fazendeiros brasileiros em Ñacunday, no sudeste do Paraguai, a monotonia da paisagem é bruscamente alterada por um gigantesco acampamento no alto de um morro, de onde emanam torres de fumaça.

Lá, numa área reclamada pelo catarinense Tranquilo Favero, conhecido no país como "o rei da soja", 5 mil famílias de trabalhadores sem-terra se instalaram em barracas há oito meses para pressionar o governo a lhes conceder porções de terra na região.

À entrada do acampamento, um sinal de que a convivência entre o grupo e o produtor de soja não anda muito boa: preso a uma forca, um boneco teve o nome Favero estampado em seu peito. Abaixo da inscrição, um recado ao fazendeiro: "vai morrer assim".

A tensão entre sem-terra e "brasiguaios" (como são chamados os cerca de 350 mil brasileiros e seus descendentes que começaram a migrar para o Paraguai em busca de terras baratas nos anos 60) alcança seu ápice em Ñacunday e explica por que a maioria da comunidade apoiou o impeachment do presidente paraguaio Fernando Lugo, na última sexta-feira.

Primeiro presidente esquerdista na história recente do Paraguai, Lugo era apontado por grandes proprietários de terra como um aliado dos sem-terra. Segundo fazendeiros "brasiguaios", enquanto permaneceu no cargo, ele estimulou ocupações, o que teria provocado uma escalada na violência no campo.

Já os sem-terra dizem que simplesmente intensificaram seus esforços para conquistar parte das terras ocupadas "ilegalmente" pelos brasileiros durante a ditadura de Alfredo Stroessner (1954-1989).

Mortes

Em 15 de junho, um tiroteio durante uma ação de reintegração de posse na fazenda de um paraguaio em Curuguaty, ao norte de Ñacunday, provocou a morte de 11 sem-terra e seis policiais. O episódio foi citado por congressistas paraguaios como uma mostra de que Lugo perdera o controle dos conflitos agrários. A matança foi um dos argumentos dos parlamentares para destituí-lo, na última sexta-feira.

Para os sem-terra, porém, o confronto em Curuguaty foi desencadeado por "mercenários contratados", que haviam se escondido entre as árvores sem o conhecimento do grupo nem dos policiais. Segundo os "carperos", como os sem-terra são chamados no Paraguai por viverem em "carpas" (barracas), a ação foi armada por poderosos descontentes com o governo Lugo para desestabilizá-lo.

A queda do ex-bispo e a posse do novo presidente, Federico Franco, político à direita do antecessor, gerou apreensão entre a maioria dos líderes sem-terra. Em Ñacunday, eles temem que a mudança fortaleça os "brasiguaios" na disputa, que nos últimos meses ganhou contornos macabros.

No início de maio, o fazendeiro brasileiro Fábio Ruffato, 35 anos, e seu pai, Valmir Ruffato, 53 anos, foram presos acusados de assassinar três sem-terra que pescavam em sua propriedade. Após serem mortos por tiros, Javier, 25 anos, Justo César, 21 anos, e Oscar Alfredo, 19 anos, foram estripados.

O advogado Alfredo Maggi, que defende a dupla brasileira, afirma que Fábio confessou o crime, mas que seu pai é inocente. Segundo ele, o brasileiro alegou ter sido provocado anteriormente pelo trio, que já teria entrado na fazenda sem permissão outras vezes. Se condenado, diz o advogado, Fábio pode passar até 25 anos na cadeia.

Segundo Federico Ayala, líder do assentamento Santa Lucia, em Ñacunday, outros dois "carperos" foram mortos por "brasiguaios" na região nos últimos meses. Ele diz que um jovem foi atropelado propositalmente por um caminhão de Favero, e que outro foi alvejado enquanto passava por uma de suas propriedades. "Todo brasileiro na área é inimigo dos camponeses. Eles estão aqui ilegalmente, são usurpadores", afirma Ayala.

(...) Duarte rebate também a acusação de que Favero não detém o título da terra. "Os títulos foram apresentados ao juiz, e não aos sem-terra. Por isso a ordem de despejo foi emitida". O advogado diz esperar que, com a troca no governo, a ação "se cumpra imediatamente".

Nem todos os líderes sem-terra, porém, adotam discurso tão inflamado contra os "brasiguaios". Principal dirigente da Liga Nacional de Carperos (LNC), um dos maiores movimentos sem-terra paraguaios, José Rodríguez diz à BBC Brasil que "para nós não existem brasiguaios". "Ou são brasileiros, ou são paraguaios. Não somos contra os brasileiros legalmente estabelecidos no Paraguai, mas sim contra a outorga ilegal de terras a estrangeiros".

Segundo ele, porém, "lamentavelmente os brasileiros são a maioria entre esse grupo". "Eles se assumem como brasileiros ou paraguaios conforme a conveniência. E tentam difundir a falsa ideia de que somos xenófobos".

Todos têm títulos

Representante jurídica dos "brasiguaios" e assessora do Itamaraty, a advogada "brasiguaia" Marilene Sguarizi nega que haja brasileiros estabelecidos ilegalmente no Paraguai. "Todos os colonos brasileiros têm títulos". Ela diz, no entanto, que em parte das contendas entre "brasiguaios" e sem-terra estão em disputa áreas adjacentes às terras tituladas.

Segundo ela, embora as áreas pertençam ao Estado e sejam reclamadas pelos sem-terra, os brasileiros investiram nelas e merecem, portanto, continuar ocupando-as. Ela afirma ainda que outros conflitos se dão em terras ocupadas pelos brasileiros que tiveram títulos duplicados por "máfias". Nesses casos, a advogada também argumenta que, por terem tornado produtivas terras inóspitas, os brasileiros detêm a primazia de cultivá-las.

"A contribuição dos colonos brasileiros fez com que o Paraguai se tornasse o quarto maior produtor de grãos do mundo", ela afirma. "Nossa produção contribui com 23% da economia do país". "Os brasileiros escolheram este país para criar seus filhos e netos", diz Sguarizi. "Estamos economicamente bem. Não queremos voltar e não vamos voltar."

http://noticias.terra.com.br/mundo/noticias/0,,OI5861655-EI20486,00-Crise+no+Paraguai+expoe+conflito+entre+semterra+e+brasiguaios.html


Expulso do Mercosul, Paraguai pode receber base militar americanaEditar

Paraguai pode, enfim, aprovar base dos EUA

Questão controversa há anos no Paraguai, a instalação de uma base militar no país poderá agitar as eleições marcadas para abril. Suspenso da Unasul e do Mercosul, além de abrir caminho para alianças econômicas com Europa, China e EUA, o Paraguai cederia espaço estratégico na fronteira da Tríplice Aliança, “reduto terrorista”, segundo os americanos. O Mercosul vetava qualquer discussão sobre o tema.

Olho no Aquífero

Com a pretendida base no Paraguai, os EUA pretendem monitorar a maior reserva de água subterrânea do mundo, o Aquífero Guarani.

Sonho antigo

O Paraguai tem acordo de treinamento militar com os EUA, mas o ex-presidente Fernando Lugo resistia à instalação da base militar.

http://montedo.blogspot.com/2012/07/expulso-do-mercosul-paraguai-pode.html.


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